Ouviu a voz do pai, de máquina em riste:
- Vou disparar.
A voz estava perdida no tempo, mas ela ainda a ouvia às vezes, quando não esperava, quando não estava a pensar nisso. Vou disparar. Disparar como se a fuzilassem. Ela, encostadinha a uma árvore de um jardim qualquer,e, na sua frente, o pelotão de execução, melhor, o fuzilador. A palavra existiria, fuzilador? E havia no seu peito um pequeno receio duro e doloroso de fim, depois de uma ressurreição sem glória, porque nem a morte nem a vida eram importantes.
‘Pronto, fica como ficar’, disse o pai, aborrecido, e sentou-se no banco,perto da árvore. A mãe apertou o casaco contra o peito e disse: ‘Começa a estar frio’.
Mas, de súbito, duvida, pensa: seria a mãe ou a outra? Qual delas teve frio na tarde da fotografia?
E o tempo foi passando. Seta despedida não volta ao arco.
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Seta Despedida
Autor(s)
Maria Judite de Carvalho
17.50€ 15.75€ -10%
Editora:
Publicações Europa-América
Ano:
1996
Nº Páginas:
143
Peso:
0 Kg
Dimensões:
mm
ISBN:
5601072033597
Categoria(s)
Autores Portugueses
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Disponibilidade:
Em Stock