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De Mãe Para Mãe

Raposo, Vera Lúcia

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Editor:  Coimbra Editora
ISBN:  9789723213454
Nr.Páginas:  198
Ano de Edição:  2005
Nr. de Edição:  
Sinopse
Pouco se escreveu sobre maternidade de substituição em Portugal, não só devido à raridade do fenómeno (não existe entre nós qualquer decisão judicial relativa a esta temática), mas também porque o direito biomédico é uma ciência ainda (e apesar da grande evolução que já conheceu) relativamente recente no nosso país.

Porém, dois reparos ao que acima ficou dito. Primeiro, a ausência de pronúncias judiciais não significa total inexistência do fenómeno. Significa apenas que a disputa, se é que existiu, não foi levada perante um tribunal. Depois, o direito biomédico tem sofrido grande evolução e aperfeiçoamento, mercê de alguns trabalhos de investigação sobre a matéria (…).

O trabalho começa por uma análise da maternidade de substituição enquanto fenómeno social, pela sua contextualização jurídica e pela análise dos conceitos envolvidos. De seguida, examina os argumentos que podem ser invocados para tomar uma qualquer posição, seja contra seja a favor. Tais argumentos são expostos mormente no contexto constitucional, ainda que se vá para além desse enfoque e se faça referência a argumentações provindas de outros ramos do direito, ou mesmo argumentos meramente sociais, filosóficos, ou inclusive morais (os menos relevantes, já que o tratamento jurídico de uma situação não se pode estribar em arrazoamentos moralistas).

Referem-se alguns casos célebres, discutem-se as mais controvertidas questões (como, por exemplo, a determinação legal da maternidade e da paternidade), apresentam-se várias hipóteses possíveis de tratamento jurídico (desde a proibição total até à mais ampla aceitação) para, finalmente, esboçar um projecto de regulamentação legal, susceptível de se resumir nestes termos:

i) Proibição da substituição dita onerosa;
ii) Aceitação (mas restrita e sob apertados requisitos) da substituição gratuita;
iii)Responsabilização da mãe de substituição pelas suas decisões;
iv)Adequada protecção das partes contratantes, tendo em vista o interesse primordial em jogo: o interesse da criança.

Longe de uma conclusão definitiva, o que se pretendeu foi levar a cabo algumas considerações sobre este fenómeno, esgrimindo argumentos contra e a favor, para finalizar com um projecto de regulamentação que se coadune com o ordenamento jurídico-constitucional português.


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